24 de setembro de 2018
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Nacional presta homenagem às Mães No clube, trabalham oito mulheres, somente cinco são mães biológicas, mas todas exercem o papel quando o assunto é cuidado e atenção aos atletas

“Ser mãe é abrir mão de tudo e não perder nada”, a frase é de um autor desconhecido e descreve exatamente como as funcionárias do Nacional Futebol Clube se sentem neste Dia das Mães. No total, oito mulheres trabalham no clube, cinco delas são mães biológicas, mas todas exercem o papel quando o assunto é cuidado e atenção aos atletas do Leão da Vila.

Antes de embarcar para Santarém-PA, onde o elenco nacionalino encara o São Raimundo-PA, pela quarta rodada do Campeonato Brasileiro Série D, neste domingo (13), jogadores e comissão técnica fizeram uma surpresa para as mamães que trabalham no Centro de Treinamento Barbosa Filho.

O técnico Lecheva, idealizador da homenagem, foi o porta-voz do elenco. Ele declara sua admiração pelas mães e manda um recado à D. Maria, sua genitora.

“Quero desejar um feliz dia das mães a todas as mamães, principalmente as nacionalinas. Nós fizemos uma homenagem a todas as mulheres do clube que trabalham com a gente e que representam neste momento as mães de todos aqueles que estão, ausente de casa, como a minha que está lá em São Paulo. Um feliz dia a minha mãe, D. Maria e que todas tenham um domingo abençoado. Mães curtam seus filhos e os filhos curtam suas mães, enquanto podem. Elas são seres únicos e insubstituíveis em nossas vidas”, declara.

Conheça quatro das oito mulheres que colaboram com o Mais Querido. Enquanto, os atletas e comissão técnica duelam dentro de campo, elas servem como pilares fora das quatro linhas.

O clube agradece toda dedicação de Thatiany Lima, Régia Maria, Ennas Barreto, Vanessa Araújo, Natalina Ferreira, Rebeca Suanam, Suelen Fernandes e Maria das Graças.

O sabor do amor materno

Frase certa na boca de qualquer cozinheira é que o sabor da comida está no amor com que ela é feita e isso, essa mãezona do Centro de Treinamento entende bem.

Tatá como é carinhosamente chamada, na verdade se chama Thatiany da Silva Lima é manauara, tem 31 anos  e é uma das cozinheiras do clube. Foi mãe aos 19 anos e seu envolvimento com o futebol começou em 2012, no Nacional FC onde permaneceu até 2013. Teve passagens por outros clubes e em 2018 retornou ao Naça. Ela não esconde que o coração é azul e revela a paixão pela cozinha.

“Sou nacionalina, sempre mostrei isso. Sobre minha profissão, eu amo cozinhar. Sempre atuei nesta área. Faço com amor e por amor”, disse Tatá que já atuou no distrito industrial e hospitais.

Ela revela como é trabalhar num ambiente considerado masculino.  “Trato a todos com muito amor e carinho, cuido como se fossem meus filhos, porém chega momentos em que é preciso disciplinar e corrigir como mãe. Sei que não é fácil, mas sinceramente, não me arrependo de nada e se fosse preciso faço tudo outra vez”, conta.

Tatá assume uma grande responsabilidade: a de ser mãe dos jogadores, seja na alegria e, principalmente naqueles momentos mais difíceis, como na tristeza ou na doença.

“O que faço por eles, é o que eu faria pela minha filha. Comemoro nos momentos felizes, acolho na tristeza e cuido com muito amor e dedicação na doença. Tenho um instinto de mãe dentro de mim que me faz ter esse cuidado por eles. Fui criada assim por minha mãe, ela me ensinou a cuidar de todos sem exceções”, ressalta.

Em clubes de futebol, sempre têm jogadores se despedindo, enquanto outros estão chegando e como toda mãe, Tatá mostra seu lado acolhedora. “Se hoje chegassem mais jogadores, eu acolheria com enorme satisfação e se faltasse lugar para algum, cederia o meu lugar no alojamento para eles, sem nem pensar duas vezes.”

A alegria é a marca registrada de Tatá. Todos os dias, os atletas são recebidos com um belo sorriso de bom dia, seguido de um café da manhã preparado com muito amor e muita brincadeira.

“Quero se sintam como se estivesse em suas casas. Toda mãe é assim, pela manhã recebe seu filho na mesa com um sorriso e um café delicioso que só mãe sabe fazer. Eu não seria diferente.”

Como boa nacionalina, ela não perde um jogo. Faz questão de acompanhar seus filhos e assim como uma mãe, ela também sofre. “Continuo sendo mãe dentro do estádio. Me dói ver os jogadores sendo atingidos por faltas duras. Tenho vontade de entrar no gramado para protegê-los. Após todos os jogos, vou conversar com eles para saber se está tudo bem. Comemoro nas vitórias, mas sofro juntamente com eles nas derrotas.”

O ombro e os cuidados de mãe

Uma mãe é carinhosa, mas quando necessário impõe disciplina, mas se há algo que derruba qualquer mãe é ver um filho doente. Elas largam tudo para tentar aliviar a dor dos seus protegidos. A fisioterapeuta do clube, Régia Maria de Oliveira Coelho, tem 51 anos de idade, é mãe biológica de dois filhos. Iniciou no futebol em 2004, mas defende o Naça desde 2009, cuidando da saúde dos atletas e muitas vezes, sendo o ombro materno que eles necessitam.

“Não me resumo somente em ser a fisioterapeuta deles, às vezes, sou a Régia mãe, confidente e amiga. Sempre sou procurada por eles nem sempre somente para cuidar da saúde, mas também para pedir conselho ou até mesmo para desabafar. Faço de tudo para ajudar da melhor maneira possível, pois tento suprir essa falta do amor e carinho de mãe que eles sentem pelas mães estarem distantes. Me sinto honrada por essa confiança em mim depositada”, conta.

O zelo e a ordem da ‘casa da mamãe” 

Toda casa precisa de organização e limpeza e no CT do Naça, quem mantém essa disciplina nas ‘casinhas’ dos jogadores é Vanessa de Souza Araújo. Descendente indígena e natural de Juruá (AM), ela tem 36 anos. Aos 14, veio morar em Manaus em busca de uma vida melhor. Foi mãe aos 18 anos e agradece aos 5 filhos biológicos que gerou.

Sua história com o Nacional começou em 2016 trabalhando como lavadeira e faxineira, em 2018 ela retornou e conta detalhes de sua convivência como ‘mãe’ desses ‘meninos’ como ela chama.

“Nossa maior missão aqui é fazer com que eles se sintam em casa. A intenção é que a saudade da família não aperte tanto. Sei muito bem como eles se sentem, afinal, minha mãe também mora longe. Tudo o que faço para eles é com muito amor e carinho, pois vejo o esforço que fazem de domingo a domingo, debaixo de sol e chuva, feriado e tudo. Eles são como filhos para mim, cuido, ajudo no que for necessário para que no final eu possa ver aquele sorriso de satisfação estampado no rosto”, revela.

A proteção de mãe

“Mexa comigo, mas não mexa com meus filhos” esse dito popular define o sentimento da assessora de imprensa do Nacional FC, Ennas Barreto da Silva. A jornalista tem 34 anos é mãe de uma filha. Começou no clube em 2013 onde trabalhou até 2017. Em 2018 retornou e a função é a mesma, zelar pela imagem dos jogadores. Ela conta como se sente quando algo negativo é divulgado sobre os atletas, mas também revela a satisfação de ser tratada com tanto respeito, num ambiente considerado masculino.

“Tenho essa árdua função de zelar pela imagem deles. Claro, se dependesse de mim só sairiam notícias positivas, mas, infelizmente nem sempre é assim. Ser atleta é estar exposto a julgamentos e a opinião muda de acordo com o resultado de cada partida. Meu coração fica partido quando vejo alguma ofensa, mas respiro fundo e os encorajo a seguir. Tenho ótima relação com todos e muitas vezes fazer o papel de mãe, amiga é natural. Um abraço, uma palavra faz diferença para quem vive longe de sua família”, relata.

Mamães de coração

Mãe não é somente àquela que gera e dá a luz, mas também quem adota, ama e protege. Têm mulheres que não tiveram oportunidade ou por escolha própria não ter filhos, no entanto, abriram o coração para receber ‘filhos’.

No Naça, a cozinheira, Natalina exerce esse papel, dão os cuidados aos atletas que geralmente quem é mãe sabe dá.

Natalina Lopes Ferreira ou carinhosamente chamada pelos jogadores como Tia Maria, tem 46 anos e é natural de Fonte Boa (AM). É cozinheira do Naça desde o início do ano de 2018, sua primeira experiência trabalhando em um clube de futebol.

Ela fala que apesar de não ter sido mãe biologicamente, trata os atletas do elenco azulino como se fossem os seus filhos e também ressalta a gratidão que sente por fazer parte desta equipe.

“Tenho uma relação muito boa com eles, claro que de vez em quando acontece um puxão de orelha, mas no final fica tudo bem. Cuido deles como se fossem os filhos que não tive. Sei que eles sentem muita saudade da família, dos amigos e, por conta disso, acabam ficando tristes, mas, todos os dias tentamos fazer com essa tristeza diminua dando todo o apoio, amor e a atenção. Eu acordo todas as manhãs alegre, pois sei que estou colaborando com o trabalho deles, por isso, preparo juntamente com a Tatá cada alimento com muito amor. Sou grata a Deus e as pessoas que me concederam esta oportunidade. Inesperadamente ganhei 32 filhos e amo a cada um deles”, declarou.

O Naça deseja que todas as mamães aproveitem seu dia, que ele seja lindo e cheio de amor, como todas as mães são!