24 de setembro de 2018
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Auxiliar técnico do Naça, Isaac Simão, revela sua história no futebol Ele fala do início da carreira, da família e de sua relação com o futebol feminino

Como um dos homens de confiança de Lecheva, o auxiliar técnico Isaac Simão, tem ‘bagagem’ para ter esse posto. Atualmente ele exerce o cargo defendendo as cores do Nacional Futebol Clube, mas ele conta que tem uma longa história dentro e fora de campo, inclusive com futebol feminino e sendo pioneiro com um time de anões.

Com mais de 31 anos no futebol, Isaac Simão, foi jogador por 14 anos, após pendurar as chuteiras, ele trabalhou com categorias de base e em 2013, aceitou o desafio de exercer a função de auxiliar técnico, sempre ao lado do técnico Lecheva, sendo respeitado e admirado por sua postura profissional.

Enquanto treinou o sub-15 e sub-20 do Tuna Luso Brasileira, Isaac Simão realizava seus trabalhos técnicos e coletivos incluindo meninas do time feminino do clube, cuja treinadora na época era Aline Costa. Ele também fez história quando treinou o time de anões, na época o único no mundo.

Casado com Darclay do Socorro e pai de Isabella e Carlos Neto, ele faz questão de esclarecer sobre a súmula da partida entre Nacional FC x São Raimundo-PA, do dia 06 de maio de 2018, quando o quarto árbitro o acusou de machismo. A acusação se tornou notícia e causou transtornos a vida do auxiliar.

“Eu, Isaac Simão Melul, 54 anos, casado, pai de família e atual auxiliar técnico do Nacional Futebol Clube, venho por meio desta esclarecer um fato ocorrido na partida contra o São Raimundo – PA, datado em 06/05/2018, realizado na Arena da Amazônia, onde o quarto árbitro do jogo, o Sr Edmar Campos da Encarnação (AM) fez acusações referente a minha pessoa, me acusando de coisas que não falei e que muito menos fiz”, relata no início da nota.

Edmar Campos de Encarnação acusou Isaac após o lance em que o atacante do São Raimundo/PA ficou em posição de impedimento e o assistente não marcou. Os jogadores do banco de reservas do Naça reclamaram, soltando frases como: “Vamos marcar né meu bandeira”.

O auxiliar lembra a postura do quarto árbitro ao lhe abordar e agradece o apoio do colega, preparador físico, Edmilson Soeiro. “Ele (Edmar) veio em minha direção proferindo em voz alta e me agredindo com palavras: ‘Fica calado, me respeita e respeita meu trabalho senão te coloco para fora’. Eu respondi: ‘Você que não está respeitando o meu’. No momento, estava de cabeça baixa fazendo o scout do jogo e assim permaneci, porém, ele continuava gritando comigo quando veio o nosso preparador físico, Edmilson Soeiro e pediu para ele se acalmar, pois estava muito nervoso e não precisava de tudo aquilo. Então, o Edmar mais uma vez com agressividade falou: ‘Não me toque, tire a mão de mim’. Sendo que nem havia o tocado”, conta Isaac.

O auxiliar ressalta que o árbitro continuou usando de sua autoridade para ameaçá-lo: “O Edmar virou-se para mim e disse: ‘Vou já chamar o árbitro central e tirar você daqui’. Eu respondi que não era necessário e que ele estava descontrolado achando que fosse eu que estivesse gritando contra o assistente, mas tirou essa conclusão por que eu estava próximo dos atletas que protestaram”, explica.

Não satisfeito, Edmar chamou o árbitro principal e o mesmo solicitou que Isaac se retirasse, em seguida, acionou o policiamento para escoltar o auxiliar azulino.

“Eu já estava me dirigindo para sair, mesmo assim, ele chamou o policiamento. O Sr Lázaro D’Angelo questionou o ocorrido. Mais um vez, o nosso preparador Edmilson Soeiro foi em minha defesa e falou as seguintes palavras: ‘Oriente seu quarto árbitro, pois ele está usando de sua autoridade para gritar com a pessoa errada. O nosso auxiliar não fez nada’. Fui vítima de uma injustiça”, afirma.

Após a partida, foi publicada a súmula e Isaac Simão mostra toda sua indignação por ser sido acusado de algo que não fez.

“Lamentável você ser acusado por algo que não fez, mas estou com minha consciência tranquila. Lamento por este cidadão ter o poder nas mãos e usar para prejudicar pessoas inocentes. Lamento muito que em pleno século XXI ainda existam pessoas desta natureza no futebol”, declara.

O auxiliar do Leão da Vila, lembra da sua carreira enquanto jogador que sempre foi visto por sua disciplina.

“Tenho muito orgulho da minha história. Como jogador profissional fui expulso apenas uma vez. Em 2010, quando fui trabalhar nas categorias de base (sub-15) do Paysandu Sport Club e depois de 2011 a 2013 no sub-15 e sub-20 do Tuna Luso Brasileira, fazia meus trabalhos técnicos e coletivos incluindo meninas do time feminino do clube, cuja treinadora na época era Aline Costa. Sempre tive ótimo relacionamento, baseado no respeito de ambas as partes. Nunca, em momento algum da minha vida, seja pessoal ou profissional agi de alguma maneira que pudesse ofender alguma mulher. Afinal, tenho mãe, irmãs, minha esposa, filhas, sobrinhas e amigas. Tenho grande admiração pelas mulheres, por sua força e determinação e sou contra a todo e qualquer ação que possa discriminá-las”, finaliza.

leia a súmula da partida: