18 de novembro de 2018
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Como um leão No Dia do Goleiro, conheça a trajetória do paredão do Naça, Marcelo Valverde

Ele defende com tanta garra que é impossível compará-lo a um gato, como geralmente nomeiam um goleiro após uma grande defesa. Marcelo Valverde nada mais é que um verdadeiro leão debaixo das traves. Ele se agiganta defendendo as cores do Nacional Futebol Clube desde 2017. Ele é treinado para a batalha. Tem postura de rei no gol e a cada dia conquista seu trono diante da imensa torcida nacionalina.

Marcelo dos Santos Farias Valverde, talvez ainda nem saiba, mas há uma solicitação para mudança no sobrenome, dado pela torcedora Loss Lene: Marcelo ‘Val-azul’,

O Marcelo ‘Val-azul’, foi mais um entre tantos garotos que sonhou em ser jogador de futebol. No caso, ele foi persistente e contou com a ajuda de um ‘anjo’ para sua realização.

O contato com a bola aconteceu desde os primeiros passos. Aos 8 anos, jogava futsal no condomínio onde morava com os pais, no Rio de Janeiro-RJ. Mesmo ano em que iniciou na escolinha de futebol. Inclusive, na época, ele atuava na linha como pivô, embora, seu grande sonho fosse mesmo de ser o cara que evita o gol. Por isso, nem demorou para que ele agarrasse a primeira oportunidade de firmar as chuteiras debaixo das traves. Dali, foi um passo para o futebol de campo.

Dessa época, ele também lembra com detalhes a primeira vez que viu seu ídolo jogar, Júlio Cesar, sua maior referência profissional.

“Pude acompanhá-lo desde o começo da carreira e sempre o admirei muito. Ele estreou no profissional em 1997. Em 2000, quando cheguei ao Flamengo tive o primeiro contato e o vi treinar.”

Marcelo Valverde não economiza elogios ao goleiro e revela que ele foi o melhor. “O Júlio César sempre foi uma referência, um ídolo. Ele construiu uma história no futebol e, para mim, foi um dos melhores que vi jogar.”, revela.

A família Valverde

O sobrenome Valverde de origem espanhola vem do pai. O goleiro azulino é natural do Rio de Janeiro-RJ, tem 28 anos e aprendeu desde muito cedo a lidar com as cobranças. “No Flamengo a cobrança acontece desde cedo. Nada abusivo. É natural. Não só dentro do clube. Você não pode errar, tem que ser o melhor em tudo”, lembra.

Nesta árdua missão de ser “o melhor em tudo”, a presença e orientação dos pais foram imprescindíveis. Vindo de uma família unida, ele é filho do taxista, Marcelo Farias Valverde e da dona de casa, Fátima dos Santos Valverde. Viveu uma vida sem muitas regalias, porém, nunca faltou o amor e o sustento da casa.

“Minha vida extra campo sempre foi muito controlada, tive uma infância tranquila e uma vida normal como jovem. Às vezes saia, mas nas minhas folgas. Nunca fui um jogador de sair à noite, sabendo que iria treinar na manhã do dia seguinte. Isso devo a minha formação familiar. Meus pais que contribuíram para isso. Eles sempre me apoiaram, acreditaram, me incentivaram e orientavam quanto ao futebol”, pontua.

O ‘anjo-segurança’

Aos 10 anos, o ‘anjo’ de Valverde se mostrou através de um amigo do pai. Junior, na época, era funcionário do Flamengo, um dos seguranças da Gávea, ficou impressionado com tamanha habilidade, e o levou para um teste na base do time rubro-negro. Fez o teste e passou.

Marcelo Valverde defendeu o Flamengo dos 10 aos 21 anos de idade, escreveu seu nome da base até o time profissional.

Em 2006, conquistou o título de campeão Juvenil defendendo o gol rubro-negro. Um ano depois, foi campeão da Taça BH de Juniores, vencendo o Cruzeiro dentro do Mineirão. Também foi tricampeão Carioca em 2007, levantou o título novamente em 2009 e em 2011 viu a oportunidade de decolar na carreira e assim o fez.

O maior desafio: carreira internacional

Com 21 anos de idade, um novo desafio, o maior, segundo Valverde. Sair do Brasil, de perto da família, para ir jogar em Portugal, não era tão fácil. Lá, ele viveu por dois anos e defendeu o Nacional da Madeira e o União da Madeira.

“Cheguei em Portugal para jogar no Nacional, muito novo, mas, consciente de que queria fazer meu nome, aproveitar a oportunidade que estava tendo”, disse.

“Logo que cheguei, quando ainda estava no avião indo de Lisboa para a Ilha da Madeira, vi meu nome cogitado para ser emprestado e aquilo já me deixou um pouco chateado. Teve a primeira eliminatória da Liga da Europa, meu objetivo era ficar. Não era ser emprestado”, ressalta o goleiro que defendia o primeiro Nacional da sua carreira.

Sobre o empréstimo, ficou somente na hipótese. Valverde iniciou os treinos, mostrou seu talento e permaneceu no Nacional, alcançando seu objetivo.

“Eu treinei forte. Passei a ser reserva do goleiro que estava lá, e aquilo para mim foi muito bom. Pegamos times da Suécia, Islândia e Inglaterra e foi uma experiência única, algo que eu não esperava, mesmo no banco, eu vendo tudo aquilo foi algo incrível”, relembra.

Era a 5ª rodada da primeira liga de Portugal, contra o Paços de Ferreira, o treinador então decidiu dar a oportunidade ao jovem goleiro.

“Tive a missão de jogar na Primeira Liga de Portugal. Nosso time ganhou de 1 a 0, e eu fui eleito o melhor em campo. Foi a estreia dos sonhos”, exalta.

Ele ainda atuou por 20 partidas no Nacional e mais 33 jogos no União da Madeira, totalizando 53 partidas como titular.

Em 2013, ele retornou ao Brasil. No ano seguinte defendeu o Gama, do Distrito Federal.

O outro lado

Após voltar de Portugal, ele teve problemas com o então empresário. E, infelizmente, ficou impossibilitado de jogar em outros times por oito meses. Uma fase complicada, mas que também trouxe muito aprendizado, conta.

“Foi um momento bem difícil da minha carreira. Complicado até de lembrar, mas, graças a Deus, com apoio da minha família, da minha esposa, dos meus sogros, Sandra e Joaquim Lima, e meus pais, eu consegui superar.”

Marcelo se emociona, lembra que nesta época, distante dos gramados, ele e sua esposa comemoravam a chegada do seu primeiro filho. E Arthur, chegou numa fase ruim, mas trazendo esperanças de dias melhores, ao seu pai, a sua mãe, a toda a família Valverde.

“Meu filho tinha acabado de nascer. Naquele momento foi o que me deu forças para que eu pudesse continuar. Foram muitas noites sem sono. Muitos pensamentos. Coisas que eu não desejo para ninguém. Mas de todo acontecimento você tira as lições e aos poucos, as coisas voltam a dar certo, mas não foi fácil”, desabafa Marcelo.

A esposa, o pequeno Arthur e a saudade

Em 2012, o jogador casou-se com Thaiane Valverde. Deste amor, nasceu Arthur Lima Valverde que tem 4 anos de idade. E por conta da instabilidade da profissão e para que a esposa pudesse ter auxilio da família nos cuidados com Arthur, os Valverdes decidiram morar em Belém-PA, onde residem os sogros de Marcelo.

No estado do Pará, Marcelo defendeu dois clubes, mas deixou seu nome na história. E, em 2017, teve a oportunidade de vestir o manto azulino. Ele agradece a oportunidade, mas afirma, o maior desafio atual é a saudade da esposa e do filho.

“Eu procuro de alguma forma suprir essa ausência. Me preocupo muito com o bem estar, tanto da minha esposa como do meu filho. Procuro estar atento a alguns detalhes, claro que ninguém é perfeito, mas tento sempre fazer o meu melhor, para que eles possam sentir-se bem e ter orgulho de mim, assim como eu tenho muito deles”, revela.

Marcelo garante que vive um bom momento na carreira e isso se deve principalmente ao companheirismo de sua esposa.

“Eu tenho uma esposa maravilhosa, muito companheira, que se preocupa comigo. É uma preocupação mútua. Nós procuramos cuidar um do outro, mesmo à distância e isso é muito importante. Vivo um bom momento e isso devo muito a ela, por estar sempre comigo”, declara.

Papai coruja assumido, ele conta que tenta ser um bom pai mesmo à distância, dando amor, atenção e claro, disciplina, nunca esquecendo os princípios de onde veio.

“Eu procuro dar o meu melhor, sou um pai muito carinhoso, brigo quando tem de brigar, educo do jeito que fui educado pelos meus pais, que eu acredito que vai ser melhor para ele. Eu vou sempre dar o melhor que tenho a ele. Quero que quando esteja mais velho, seja um rapaz educado, de família, responsável, um homem decente, que possa construir uma família e que sofra pouco nesse mundo tão conturbado em que vivemos”, ressalta.

O segredo de tanto foco

Sério. Focado. Persistente. Disciplinado. São algumas das características de Marcelo, questionado sobre seu jeito de ser, ele conta.

“Todos os dias, ao levantar, eu acredito que o dia tem que valer a pena, que eu não posso nunca entrar no campo e sair do mesmo jeito que entrei. Eu nunca treino por treinar, sempre treino para evoluir, sempre acho que tenho que melhorar em alguma coisa”, completa.

O leão carioca fecha com o Leão da Vila

Além de duas passagens pelo Gama-DF, Marcelo também defendeu o Anápolis-GO e foi campeão da 2ª divisão com o Bragantino-PA.

Mas sua vinda para o Amazonas, se deu após sua passagem pelo Castanhal-PA. Na temporada de 2016, ele assinou com a equipe, onde foi vice-campeão da 2ª divisão e em 2017 disputou a primeira divisão com o time paraense.

Considerado um dos melhores jogadores na conquista do time, Marcelo Valverde foi visto com bons olhos pela diretoria do Nacional Futebol Clube.

Em abril de 2017, o leão carioca fecha com o Leão da Vila Municipal. Do Nacional de Portugal para o Nacional do Amazonas.

“Sempre tive boas referências do Nacional Futebol Clube. A grandeza do Naça é conhecida Brasil a fora. Hoje, o clube tem um grande desafio e isso chamou minha atenção. Claro, antes de fechar contrato, todo jogador avalia, mas hoje, tenho certeza que fiz a melhor escolha para minha carreira”, declara.

2018, o degrau

Marcelo revela que é movido a desafios. Foca em algo e faz o que tiver ao seu alcance, sempre guiado por seus princípios.

“Na vida, eu costumo subir degrau por degrau. Uma coisa de cada vez. Acredito que tudo acontece no seu momento, mas que devemos ser persistentes e ter foco. Eu me considero um homem ‘pé no chão’, as vezes até demais”, avalia.

Em fevereiro, o Naça encarou a Ponte Preta-SP, pela Copa do Brasil. A partida terminou em 0 a 0, com o resultado, o time paulista avançou de fase, no entanto, o Leão da Vila Municipal saiu de campo aplaudido pelos torcedores amazonenses. Marcelo Valverde ‘fechou’ o gol nacionalino e não entrou nem pensamento. Sobre o jogo em que ele levou os amantes do futebol ao delírio, com defesas inacreditáveis, Marcelo conta que foi somente mais um passo.

“Para mim foi só mais um passo e eu espero que durante a temporada possam acontecer mais jogos assim, da minha parte e dos meus companheiros. Que eu possa ajudar, que eu possa contribuir.”

Atualmente, o Naça foca na Série D do Campeonato Brasileiro. Na estreia, o time azulino goleou o São Raimundo-RR por 3 a 0 e mais uma vez Valverde foi fundamental para o resultado. O próximo desafio é diante do Real Desportivo-RO, fora de casa e o goleiro fala da sua expectativa para o jogo.

“Precisamos ter calma na derrota e calma na vitória. É ter consciência e não se empolgar, afinal, ainda temos um longo percurso pela frente. A expectativa é que a gente possa conquistar os resultados positivos, que é o que nos interessa sempre, e dar continuidade à caminhada para o acesso”.

A torcida do Leão

Para Marcelo Valverde, ou Marcelo ‘Val-azul’, a torcida do Nacional Futebol Clube representa exatamente o que é o torcedor brasileiro. Um torcedor apaixonado, empolgante, que cobra.

“Eu me preocupo com o clube. Quero que torcida olhe para o time com orgulho, que os comentários sejam diferentes. Quando entro em campo, penso que vamos dar alegria, que as coisas vão mudar e que eles possam estar nos apoiando antes, durante e após o jogo. Por outro lado, vamos honrar esta camisa”, finalizou o arqueiro que defende o gol azulino como um verdadeiro leão e já provou isso à torcida do Naça, aos amazonenses, ao Brasil.

Os paredões do Naça

Além de Marcelo Valverde, o elenco azulino também conta com Paulo Wanzeler, Douglas Augusto e Ramilson Almeida. Este último é prata da casa, uma grande promessa para o Amazonas.