17 de dezembro de 2017
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A força de Hércules

Hércules foi um grande herói da Mitologia Grega, filho de Zeus (deus dos deuses), tinha como principal caraterística a força, que às vezes era confundida com a brutalidade. Conhecido por ter um grande coração, muitas vezes no calor das batalhas, matava culpados e inocentes e depois chorava arrependido. Da Grécia para o Brasil, mais precisamente, o Amazonas, dos campos de batalha para os gramados do Centro Treinamento Barbosa Filho, a nação azulina também tem seu Hércules. O cearense nascido no dia 06 de fevereiro de 1984, em Solonópoles/CE, conta como usa as características do mito grego para vencer os obstáculos que a vida e as partidas de futebol lhe impõem.

Nome de herói

Questionado sobre a origem do seu nome, Hércules revela que conhece bem a história do herói grego e conta quem escolheu batizá-lo com este nome.

“Esse nome na verdade foi escolhido por um amigo da minha mãe, quando ela ainda estava grávida. Ele pediu para que ela botasse o nome no filho dela de Hércules. Ela conta que gostou e decidiu aceitar. Eu achei até bom, por ter uma semelhança com alguém bom, inclusive quando entro em campo já fica ate uma expressão de força, de garra, de vontade. Então afirmo que essa é minha característica dentro e fora dos gramados”, garante.

O herói da família Silva

Aos nove meses de idade, Hércules foi entregue aos avós. A mãe precisou ir para capital do Ceará em busca de emprego e não tinha condições para criar o filho. A responsabilidade para a formação do futuro jogador de futebol ficou sob os carinhos e cuidados do senhor Francisco Carneiro da Silva e dona Ana Neli de Oliveira Silva. Alguns anos depois, o garoto peralta, conhecido por suas façanhas, enfrentou uma batalha de gente grande e se tornou o herói da família Silva. Motivo de orgulho, não penas pelo feito, mas também pelo atleta e homem de caráter que se tornou.

“Aos 15 anos de idade tive que sair de casa em busca do sonho de ser jogador. Fui para disputar a Taça São Paulo. Claro, a concorrência era grande, mas a maior dificuldade mesmo foi ficar longe da família e dos amigos. Tinha dias que achava que não suportaria, mas eu tinha um foco, um objetivo. Sofri muito, mas não queria decepcionar as pessoas que acreditavam em mim e apesar da dor, eu pensava nos meus avós também. Eu superei tudo e hoje graças a Deus, sei que sou motivo de orgulho para todos da minha família… Minha maior emoção é saber que quando jogo em partidas que são transmitidas pela televisão, as pessoas da minha cidade se reúnem na casa da minha irmã para me verem jogar. Fico muito agradecido e orgulhoso de ter chegado até aqui. Por isso, sou e serei eternamente grato aos meus avós pela criação que tive. Desde os nove meses de idade que recebo todo amor deles. Trago comigo sempre os conselhos deles de valorizar os estudos e os amigos. Desde que sai de casa, busco todos os dias praticar essas lições”, ressaltou.

O Hércules do futebol

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Na contramão da maioria dos garotos que começam a carreira nas categorias de base dos clubes, o já adulto Hércules, tinha 22 anos quando conseguiu realizar o sonho de ser tornar jogador profissional. Mas, ele ressalta que a idade não influencia negativamente no seu rendimento e pelo contrário, a experiência ajuda.

“Eu tenho 31 anos de idade, há oito estou no futebol. Comecei tarde, com 22, como muitos dizem se comparar com outros garotos. Mas o meu caso não é isolado, muitos atletas profissionais passaram e passam por dificuldades, principalmente no começo, até chegar ao profissional. A dificuldade para quem é do interior então parece que é mais, mas fui um escolhido por Deus. Eu comecei no campeonato amador e de intermunicipal, como chama lá no Ceará. Na época eu tinha uns 18 ou 19 anos, quando formaram a seleção municipal da cidade. Na época fui escolhido para jogar e me destaquei. O treinador era o Ageu dos Santos, após a competição ele me levou para Horizonte e em 2006 consegui me profissionalizar, Desde então não parei mais, graças a Deus. Batalha após batalha e aqui no Nacional não será diferente”, disse o jogador que hoje tem 31 anos.

A força do volante

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Dentro dos gramados, a posição de volante também exige bastante força, afinal é necessário ter precisão nos passes, estar pronto para marcar e claro ter bons chutes à distância. De acordo com o jogador, para vencer os adversários, além da força é preciso também ter habilidade, responsabilidade e companheirismo.

“Ah, com certeza eu tenho muita força, não apenas física, mas também aqui dentro da cabeça. Sou um jogador que procuro ser focado, centrado em tudo o que faço, apesar das pessoas sempre ligarem o nome Hércules ao deus grego, eu busco exemplo no lado positivo. E devido a minha posição de volante, preciso de um pouco de força, mas para guerrear dentro do campo, preciso também de habilidade, responsabilidade e contar com a ajuda dos meus companheiros, isso é fundamental. ”

A dor da distância

Apesar de estar com a esposa Liliane e a filha Eduarda morando em Manaus, Hércules se diz incompleto, pois está longe de seus avós, sua mãe, irmãos e demais familiares. Todos ainda residem em Solonópolis, cidade natal do jogador.

“Minha mãe mora em Solonópolis, cidade onde eu nasci. Ela vive com meus avós. A distância sempre dói, numa época dessas de fim de ano, a dor aumenta. Mas é o preço pela profissão que escolhi. Graças a Deus tenho um emprego e posso ajudar minha família, que mesmo distante torce por mim. Muitas vezes as pessoas fora do futebol não entendem essa dor, não ver esse lado …”, lamenta.

Hércules é do Naça

Volante Hércules

 

O volante é um entre tantos nomes do elenco azulino. Na posição, ele disputa a vaga com Osmar e Cal. No entanto, Hércules conta com a experiência para garantir seu nome da titularidade e ressalta a vontade de deixar a marca de sua força na história do Mais Querido.

“A gente vê uma reponsabilidade muito grande com esse elenco que Heriberto está formando. Nós vimos pela apresentação que existem alguns torcedores que estão insatisfeitos com as últimas campanhas do clube. Mas eu quero ressaltar, que nós não temos culpa do que a equipe anterior fez. Isso não nos interessa. A partir da apresentação o que interessa para nós é ter consciência da responsabilidade que cada atleta que representa o Nacional tem. Não somos culpados de o clube estar na Série D, mas temos a responsabilidade de poder colocar o Nacional na Série C. Nós assumimos isso”, declara.

Hércules pede à torcida que acredite no elenco e dê seu voto de confiança, dê o apoio que o time precisa.

“Eu peço o apoio de cada torcedor. É muito importante para cada guerreiro que está dentro de campo saber que fora estão pessoas com o mesmo objetivo que o nosso. Por outro lado, nós, jogadores vamos responder com dedicação, esforço. Temos aí uma diretoria, uma comissão honesta, então, cada jogador vai honrar essa camisa e dar o seu melhor para colocar o Nacional no lugar onde merece e, apesar de o estado não possuir uma equipe nas grandes divisões do Brasil, a gente vê que a estrutura, as condições que dão, no mínimo é para time de Série B. O torcedor pode esperar que vamos dar muita alegria, não apenas ao torcedor nacionalino, mas, também, para o torcedor amazonense”, finaliza.

Por Ennas Barreto

Fotos: Klauson Dutra